"É preciso que todos os homens permaneçam seres humanos durante todo o tempo em que estiverem vivos." Simone de Beauvoir

25 de set de 2014

Avaliação funcional do idoso: equilíbrio estático

A capacidade de manutenção do equilíbrio estático e dinâmico é um ponto crucial para a manutenção da independência funcional, para reduzir o risco de quedas, morbidade e mortalidade na velhice. O Timed Up and Go Test (TUG), embora disponha de uma avaliação do equilíbrio geral, não possibilita o discernimento de déficits estáticos ou dinâmicos. Dessa forma, tendo em vista que a manutenção do equilíbrio é uma tarefa sensório-motora complexa, sugere-se a formas mais específicas para a mensuração de suas manifestações dinâmicas e estáticas.
Com relação ao equilíbrio estático, é sabido que os idosos apresentam decréscimo de desempenho em posturas corporais simples, principalmente numa base de sustentação reduzida, como se manter em ortostasia num único pé. Mensurações do equilíbrio em posição ortostática, portanto, tornam-se preeminentes, pois essa ação está presente em atividades funcionais comuns, reflete a estabilidade postural do indivíduo, podendo assim identificar aqueles que apresentam maiores riscos de queda.
Um teste de equilíbrio estático muito utilizado na literatura é o teste de apoio unipodal. Esse teste consiste em medir o tempo que o avaliado consegue sustentar-se em pé, com apoio de apenas uma das pernas, enquanto mantém o outro pé a aproximadamente a 10 centímetros do solo. Sugere-se a realização consecutiva do teste com os olhos fechados ou, ainda, com o pescoço em extensão máxima, tornando o teste mais intenso. A alternativa com olhos fechados, parece ser mais sensível para detectar alterações mediante a intervenção de exercício.

Outra possibilidade de avaliação do equilíbrio estático que também baseia-se na diminuição da base de sustentação, é o teste Tandem Stance. O Tandem Stance (Tandem Stand/Standing Balance) propõe a quantificação do tempo (máximo e limite de 30 segundos) para a manutenção da posição ortostática, com os pés alinhados, na medida em que o calcanhar toque as extremidades dos dedos do outro pé. Pode-se sugerir que escores mais baixos que 10 segundos indicam alta probabilidade de quedas e declínio funcional. Esse teste mostra correlação moderada com velocidade da marcha, todavia não exibe índice significativo com o teste de sentar e levantar da cadeira, uma ação funcional que se relaciona principalmente com a força de membros inferiores, atributo importante para desempenho funcional.

O vídeo demonstra o teste de apoio unipodal e o Tandem Stance, respectivamente:


Referências:
- Shubert, T.E.; et al. Are scores on balance screening tests associated with mobility in older adults? J Geriatr Phys Ther. 2006.
- Okuma, S.S. O significado da atividade física para o idoso: um estudo fenomenológico [tese]. São Paulo: Universidade de São Paulo; 1997.
- Rogers M.E.; et al. Methods to assess and improve the physical parameters associated with fall risk in older adults. Prev Med. 2003.
- Ringsberg, K.; et al. Is there a relationship between balance, gait performance and muscular strength in 75-year-old women? Age Ageing. 1999.
- Shigematsu, R., et al. Dancebased aerobic exercise may improve indices of falling risk in older women. Age Ageing. 2002.
- Ikezoe,T.; et al. Low Intensity Training for Frail Elderly Women: Long-term Effects on Motor Function and Mobility. J Phys Ther Sci. 2005.
- Kimura, T.; et al. Effects of aging on gait patterns in the healthy elderly. Anthropol Sci. 2007.
- Nnodim, J.O.; Alexander, N.B. Assessing falls in older adults. A comprehensive fall evaluation to reduce fall risk in older adults. Geriatrics. 2005.
- Hausdorff, J.M.; et al. Etiology and modification of gait instability in older adults: a randomized controlled trial of exercise. J Appl Physiol. 2001.

Nenhum comentário:

Postar um comentário