"É preciso que todos os homens permaneçam seres humanos durante todo o tempo em que estiverem vivos." Simone de Beauvoir

4 de ago de 2014

Auxiliares de marcha: bengalas, muletas e andadores



Os auxiliares de marcha são prescritos nos casos de diminuição ou alteração da mobilidade, como no caso de dor, e servem, além da analgesia, para tornar o indivíduo independente com autonomia e segurança.
A seleção de um desses auxiliares deve ser individualizada, seguindo uma avaliação global e funcional do paciente. Evita-se, com isso, alterações posturais, quedas, dor, sobrecarga articular e imobilidade.
Podemos utilizar bengalas, muletas e andadores, os quais estão disponíveis em diferentes modelos no mercado de acordo com o quadro funcional de cada paciente.

Logo abaixo, uma breve descrição dos modelos mais comuns e funções dos auxiliares de marcha:

Bengalas 

- Podem ser de madeira ou de alumínio;
- Auxiliam o equilíbrio;
- Poupam o membro lesado;
- Compensam o déficit de força;
- Aliviam a dor;
- Diminuem 20% a 25% do peso descarregado em um membro;
- São utilizadas, na grande maioria, na mão contralateral ao membro afetado;
- Seu uso vai depender das limitações e objetivos de cada paciente.



Os tipos mais comuns de bengalas podem ser: comum, com recuo, empunhadura funcional, quatro pontas, empunhadura em C ou bengala deambulatória. Independente do tipo a ser utilizado, o apoio de mão deve respeitar a altura do trocânter maior do fêmur, com angulação do cotovelo em 25 a 30 graus quando fixados em um ponto anterior e lateral distante 15cm dos pés.

 

Muletas

- Mais estáveis que as bengalas;
- Reduzem de 50% a 100% do peso em um membro, dependendo da forma utilizada.

Tipos:

Muletas axilares: são indicadas para grande descarga de peso corporal, por exemplo, analgesia, e paciente com pouca estabilidade de tronco. Difícil de se utilizada em pequenas áreas e se mal adaptadas, podem lesionar estruturas axilares (nervos, vasos). Suas almofadas devem ser posicionadas em região subaxilar.


Muletas Lofstrand: possuem uma braçadeira em antebraço (aumentam o braço da alavanca). Permitem o uso das mãos sem que a muleta caia. Proporcionam mais independência para o paciente.


Muletas canadenses: possuem braçadeiras acima e abaixo do cotovelo, com isso, compensam a fraqueza de extensores do cotovelo (tríceps braquial). O paciente necessita de coordenação e bom equilíbrio de tronco para utilizar esse tipo de muletas.


Andadores

- Também recomendados para pacientes muito instáveis e para analgesia;
- Deve ser segurado entre 20 e 25cm de distância em frente ao corpo, ombros relaxados e nivelados, tronco ereto e cotovelos com flexão de 25 a 30 graus.

Os mais comuns são:

Andador fixo: oferece maior estabilidade látero-lateral e não exige dissociação de cinturas. Perigoso para pacientes com desequilíbrio ântero-posterior.
Fixo com rodas

Andador articulado: mais apropriado para controle motor da marcha e exige dissociação de cinturas.

Articulado

A reabilitação é um procedimento terapêutico global que transcende os aspectos físicos, e pode estar associada ao uso de órteses, ou seja, utilização de recursos técnicos especiais. Isso pode ser útil para aumentar a qualidade de vida do paciente, desde que sejam bem indicadas e utilizadas de forma adequada. Aconselha-se que diante da necessidade de seu uso, o paciente seja encaminhado para um serviço de reabilitação a fim de receber treinamento adequado.

Referências:
 - Cohi, O.; Viladot, R. et al. Ortesis y ayudas para la marcha. Ortesis y Protesis Del Aparato Locomotor. Barcelona: Masson. 1994.
- Ferreira, M.S.; Silveira, V.C; Rizo, L.R. Auxiliares de locomoção, cadeira de rodas e tecnologia assistiva. Medicina Física e Reabilitação. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2010.
- Gazoni, F.; Matos, C.V.; Adachi, T. A fisiatria e as dores ósseas em idosos. Força-tarefa na dor óssea em idosos. Grupo Editorial Moreira Jr. Editor: Fânia C. Santos. 2012.


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