"É preciso que todos os homens permaneçam seres humanos durante todo o tempo em que estiverem vivos." Simone de Beauvoir

7 de jul de 2014

Síndrome da fragilidade no idoso: você sabe que síndrome é essa?

O termo fragilidade tem sido usado na prática para designar, dentre a população de idosos, aqueles que apresentam características clínicas atribuídas ao envelhecimento, associado à existência de comorbidades, como por exemplo, diminuição da massa e da força muscular, exaustão, alteração da marcha e do equilíbrio, anorexia, perda de peso progressiva, dentre alguns outros. Todos esses fatores levam a um maior risco de eventos adversos como quedas, incontinência urinária, hospitalização e morte. 
A fragilidade representa hoje, um importante problema de saúde pública, e seu desenvolvimento é compreendido como decorrente da interação de fatores biológicos, psicológicos, cognitivos e sociais, ao longo da vida, e com potencial para prevenção, identificação e tratamento dos sintomas. Sua prevalência é de aproximadamente 6,9% em idosos que vivem na comunidade, e essa frequência tende à elevação com o aumento da idade. Nessa perspectiva, o idoso frágil precisa ser compreendido como prioridade frente às políticas públicas de saúde, uma vez que ele demanda maior necessidade de cuidados.
Enquanto ao conceito, atualmente, não existe um consenso definido quanto à fragilidade, nem como poderia ser identificada ou mesmo avaliada. As primeiras definições que utilizaram critérios para a indicação de fragilidade consideraram idosos frágeis, indivíduos com mais de 65 anos de idade, dependentes para as suas atividades de vida diária e geralmente institucionalizados. Mas com o passar do tempo, algumas definições ganharam um novo foco.
O conceito mais aceito a descreve como síndrome geriátrica de caráter biológico e natureza multifatorial caracterizada por um estado de vulnerabilidade fisiológica, por diminuição de reserva e resistência aos estressores, devido declínios cumulativos dos múltiplos sistemas fisiológicos. Os autores Fried (2001) e Silva (2009), procurando identificar esta síndrome em idosos, reuniram condições como emagrecimento ligado à desnutrição e perda de massa muscular, fraqueza muscular, baixa resistência, lentidão e baixos níveis de atividade, para formular um fenótipo de fragilidade.
Segundo essas características, os idosos são classificados como frágeis, quando apresentam três ou mais dos componentes citados, pré-frágeis, quando apresentam um ou dois deles, e não-frágeis, quando não apresentam qualquer dessas características. Dessa forma, foi constatado que idosos que preenchem esses critérios, estão mais suscetíveis às quedas, ao declínio funcional, à hospitalização e à morte em um período de três anos.
Alguns outros estudos sugerem que para ser considerado frágil, o idoso deve atender a um critério, dentre vários. Deve-se incluir a doença crônica incapacitante, o estado de confusão mental, a depressão, as quedas, a incontinência urinária, a desnutrição, as úlceras por pressão e os problemas socioeconômicos. Desta forma, a fragilidade pode ser observada quando o idoso preenche no mínimo quatro das seguintes características:
  • idade igual ou superior a 80 anos;
  • depressão;
  • instabilidade de equilíbrio e marcha;
  • diminuição na força de preensão palmar;
  • uso de sedativos;
  • diminuição da força nas articulação dos ombros e joelhos;
  • déficits nos membros inferiores;
  • déficit visual.
A característica essencial da fragilidade é a noção do risco decorrente da instabilidade. O idoso torna-se frágil quando o organismo perde a complexidade de manutenção de sua dinâmica e apresenta respostas de não adaptação aos estresses. Em geral, os idosos percebidos como frágeis, são aqueles que apresentam riscos mais elevados para desfechos clínicos adversos. Às vezes, algum evento considerado de pequeno impacto para alguns idosos, pode causar sérias limitações e resultar ou não na perda de sua autonomia.
Importante destacar que a fragilidade está associada à idade, embora não seja resultante exclusivamente do processo de envelhecimento, já que a maioria dos idosos não se torna frágil obrigatoriamente.
Na literatura atual, o que vemos é um desafio de transferir o conhecimento para o sistema de saúde, pois ainda é escassa a discussão sobre a síndrome. Dessa forma, buscaremos reduzir a incidência, a prevalência e o impacto da fragilidade na população de idosos.

Referências:
- Friend, L.P.; Tangen, C.M. et al. Frailty in older adults: evidence for a phenotype. The Journals of Gerontology Series A: Biological Sciences and Medical Sciences. 2001.
- Woodhouse, K.W. et al. Who are the frail elderly? QJM: An International Journal of Medicine. 1998.
- Winograd, C.H. et al. Screening for frailty: criteria and predictors of outcomes. Journal of the American Geriatrics Society. 1991.
- Speechley, M.; Tinetti, M. Falls and injuries in frail and vigorous community elderly persons. Journal of the American Geriatrics Society. 1991.
- Campbell, A.J.; Buchner, D.M. Unstable disability and the fluctuations of frailty. Age Aging. 1997.
- Strawbridge, W.J. et alAntecedents of fraity over three decades in an older cohort. The Journals of Gerontology Series B: Psychological Sciences and Social Sciences.1998.
- Fried, L.P.; Walston, J.M. et alFrailty and failure to thrive. Principle of Geriatric Medicine and Gerontology. 2003.
- Bortz, W.M. A conceptual framework of frailty. The Journals of Gerontology Series A: Biological Sciences and Medical Sciences. 2002.
- Macedo, C. et alSíndrome da fragilidade no idoso: a importância da fisioterapia. Artigo de Revisão. Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde.
- Bregman, H. et al. Frailty: an emerging research and clinic paradgm: issues and controversies. The Journal of Gerontology. 2007.
- Breda, J.C. Prevalência de quatro critérios para avaliação de fragilidade em uma amostra de idosos residentes na comunidade: um estudo exploratório. Universidade estadual de Capinas. 2007.

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