"É preciso que todos os homens permaneçam seres humanos durante todo o tempo em que estiverem vivos." Simone de Beauvoir

30 de jun de 2014

Conhecendo a Doença de Alzheimer e a importância do tratamento fisioterapêutico

Conhecida como uma doença neurológica, progressiva, degenerativa, lenta e irreversível, a doença de Alzheimer é um dos tipos mais comuns de demência. A sua etiologia ainda não está esclarecida, porém, existem fortes indícios de uma causa genética.
Os principais dados encontrados na literatura relacionados aos maiores fatores de risco para a doença estão destacados a seguir: idade elevada, sexo feminino, baixa escolaridade (o que pode ser decorrência da dificuldade para administrar e interpretar testes cognitivos em analfabetos e também de a educação aumentar a densidade das sinapses neocorticais), ocorrência de traumatismos cranianos, síndrome de Down em um parente de primeiro grau, exposição ao alumínio, zinco e toxinas, tratamentos hormonais à base de estrógenos durante a menopausa.
Segundo a ABRAz, Associação Brasileira de Alzheimer, a certeza do diagnóstico só pode ser obtido por meio do exame microscópico do tecido cerebral do doente após o seu falecimento. Antes disso, esse exame não é indicado, pois apresenta riscos ao paciente. O diagnóstico clínico da doença é obtido com base em uma avaliação da história do paciente e dos exames solicitados. Os testes neuropsicológicos também são recomendados para a avaliação do funcionamento cognitivo em várias esferas. (Leia mais aqui: Doença de Alzheimer - Diagnóstico).

São encontradas diversas formas de divisão dos estágios da doença de Alzheimer. A divisão mais comum e mais simplificada é dividida em três estágios. Sendo assim, na 1ª fase (fase inicial), o doente começa a apresentar déficit de memória, como desorientação espacial e dificuldade de recordar acontecimentos recentes. Junto a isso, começam a aparecer alterações na linguagem, como dificuldade em encontrar a palavra certa em um diálogo espontâneo e em entender o que lhe foi dito. Na 2ª fase (ou fase intermediária), os sintomas descritos anteriormente tornam-se mais acentuados. O paciente apresenta dificuldade em executar funções como se vestir ou na higiene pessoal; a memória é ainda mais prejudicada e ele se mostra desorientado em lugares conhecidos e também não reconhece parentes. Começa a apresentar alterações na função motora como bradicinesia , andar lento, perseverança de gestos e reflexos primitivos persistentes. A praxia (coordenação normal dos movimentos) e a gnosia (reconhecimento de um objeto ou um fato através de um dos sentidos) também são alteradas. Na 3ª fase (doença avançada), o paciente perde totalmente a capacidade de realizar as atividades de vida diária e de se comunicar. A função motora fica ainda mais comprometida, evoluindo para uma hipertonia e não sendo mais capaz de realizar a marcha. A memória é ainda mias prejudicada e o paciente já não reconhece mais parentes próximos. Nessa fase, o paciente permanece acamado.

Estágios da Doença de Alzheimer

A assistência fisioterapêutica é baseada na avaliação do paciente, ou seja, o tratamento será de acordo com os sinais, os sintomas e as suas limitações. A fisioterapia tem grande importância para retardar as progressões das perdas motoras, evitar encurtamentos e deformidades e incentivar a independência do doente. E, mais uma vez, é destacada a prática de atividade física por portadores da Doença de Alzheimer, pois essa prática regular leva a uma melhor retenção das habilidades motoras, melhora da qualidade do sono, melhora da circulação sanguínea e prevenção de algumas lesões ortopédicas, e também, segundo alguns estudos, a realização de um treino aeróbico tem mostrado uma melhora das funções mentais. A prática de caminhada por idosos produz melhora da marcha, da força muscular nos membros inferiores e auxilia na manutenção do equilíbrio.
Outro ponto que tem sido foco em muitos programas de reabilitação é a inclusão da dança nas atividades físicas do idoso, pois tem como objetivo a autonomia e a socialização e, quando praticada de forma regular, reforça os critérios de promoção de saúde. 
O maior problema é quando o portador passa a permanecer acamado. Aí começam as dificuldades para transferência, para posicionamento e para evitar escaras. Nessa fase, é importante que o cuidador esteja orientado sobre como cuidar desse paciente a fim de evitar complicações. 
É importante lembrar que para a prevenção das diversas complicações motoras do portador da Doença de Alzheimer, é necessário, além da assistência fisioterapêutica, um programa domiciliar, que deve ser visto como uma continuação do tratamento, onde o cuidador e familiares têm papel fundamental na elaboração e realização do mesmo. E como se trata de uma doença progressiva, esse programa deve ser revisado e modificado de acordo com o grau de dependência do paciente.

Referências:
- ABRAz - Associação Brasileira de Alzheimer;
- Melo, M.A.; Driusso, P. Proposta Fisioterapêutica para os cuidados de Portadores da Doença de Alzheimer. Envelhecimento e Saúde. 2006;
- Spinosa, M.R. Proposta de Manual de Orientações para familiares/cuidadores dos portadores da Doença de Alzheimer. Trabalho de conclusão de curso. Universidade Metodista de São Paulo. 2001;
- Mayeux, R.; Chum, M.R. Demências adquiridas e hereditárias. Tratado de neurologia; 9ª edição. 1995;
- Tavares, A. Delirium e Demência. Clínica e Cirurgia Geriátrica; 1ª edição. 1999;
- Forsyth, E.; Ritzline, P.D. An overview of the etiology, diagnosis and treatment of Alzheimer Disease. Physical Therapy. 1998;
- Kisner, C.; Colby, L.A. Introdução ao exercício terapêutico e amplitude de movimento. Exercícios Terapêuticos; Ed. Manole, 3ªedição. 1998;
- Gomes, M.V.S.S. Intervenção da educação física nos indivíduos com Doença de Alzheimer. Revista Fisioterapia Brasil. 2002;
- Caromano, F.A. Efeitos do treinamento e na manutenção de exercícios de baixa a moderada intensidade em idosos sedentários saudáveis. [Tese apresentada à Universidade de São Paulo, Instituto de Psicologia para obtenção do grau de Doutor]. Abstract on line disponível em www.bireme.br;
- Ribeiro, M.G.C. O idoso, a atividade física e a dança. [Tese apresentada à Universidade do Rio de Janeiro, Centro de Educação e Humanidades para a obtenção do grau de Mestre]. Abstract on line disponível em www.bireme.br;
- Gwyther, L.P. Cuidados com portadores de doença de Alzheimer: um manual para cuidadores e casas especializadas. [Editado originalmente em American Health Care Association e Alzheimer's Disease and related Disorders Association]. Novartis. 1985.

19 de jun de 2014

Osteoporose: diagnóstico, fatores de risco e prevenção

Nas últimas duas décadas, a osteoporose foi amplamente reconhecida como um importante problema de saúde pública. Por ser uma doença de caráter silencioso, muitas vezes, ela só é diagnosticada quando ocorrem fraturas, principalmente nos ossos do punho, do quadril e da coluna vertebral.
Alguns estudos internacionais mostraram que no ano de 2000, aproximadamente 15 milhões de brasileiros apresentavam essa doença. Isso demonstra a importância de se conhecer mais sobre a prevenção, o diagnóstico precoce da perda de massa óssea e os fatores de risco associados à osteoporose. Quanto mais cedo essa perda de massa óssea for identificada e tratada, melhores serão os resultados à longo prazo.
A densitometria óssea, um método sensível e preciso, é útil tanto no diagnóstico como no acompanhamento da evolução do paciente com osteoporose. Além disso, é um exame simples, não-invasivo, rápido e disponível a um baixo custo.

Exame de densitometria óssea

As causas da osteoporose ainda não são totalmente esclarecidas. Sabe-se que é uma doença complexa e depende de fatores genéticos, biológicos e ambientais e de alguns hábitos que podem aumentar as chances de uma pessoa desenvolver a doença. A maioria dos estudos mostram que as mulheres, as idosas, as de pequeno porte, as brancas ou as asiáticas e aquelas com histórico familiar da doença, são mais propensas a desenvolver a osteoporose. Lembrando que as mulheres têm um risco quatro vezes maior de desenvolver a doença que os homens, basicamente em função da diminuição de hormônios sexuais femininos após a menopausa. Porém, existem alguns fatores de risco que contribuem para o seu aparecimento, como: o alcoolismo, a vida sedentária, a poluição, a água sem flúor (o flúor auxilia a fixação do cálcio), o estresse, entre outros.
A prevenção, na maioria das vezes, significa uma mudança nos hábitos de vida da pessoa o que dificulta o tratamento. Contudo, considerando-se a gravidade da doença e a incapacidade que pode levar um indivíduo na terceira idade, todo o esforço deve ser empregado. A prevenção ao fumo e ao álcool, a prática de exercícios físicos, uma dieta rica em cálcio, vitamina D e flúor, uma avaliação periódica das condições ósseas pela densitometria óssea, bem como um acompanhamento do tratamento realizado são algumas medidas sempre recomendadas.

Em relação aos exercícios físicos, vale lembrar que o mais importante é escolher uma atividade que seja realizada com prazer e com o devido cuidado. Sabemos que não apenas as atividades esportivas são benéficas para a saúde; muitas atividades cotidianas podem ser realizadas como exercícios. Teoricamente, a prática de exercício físico deve ser iniciada antes mesmo do indivíduo atingir a idade adulta a fim de minimizar as chances de aparecimento da osteoporose ou de outras complicações que podem ser prevenidas, pois apresenta papel fundamental na manutenção e na possibilidade de aumentar o pico de massa óssea.
Enquanto ao programa de reabilitação, deverá visar a prevenção de complicações mais sérias associadas à osteoporose, como por exemplo, as fraturas. Aumentar a flexibilidade, treinar o equilíbrio e fortalecer os principais grupos musculares são objetivos fundamentais para a prevenção de quedas. Escolher a órtese mais adequada para o auxílio da marcha ensinando o paciente a usá-la corretamente, bem como os cuidados apropriados para evitar lesões. Além disso, algumas orientações simples ao paciente e familiares em relação aos riscos domiciliares existentes, tais como escadas sem corrimão, sapatos de salto, etc., também é muito importante e é papel do fisioterapeuta. Devemos estar sempre atentos aos sinais e aos sintomas associados com a osteoporose para poder encaminhar o paciente a um médico especialista. Dessa forma, é fundamental coletar informações a respeito da mobilidade e da disfunção articular para que sejam tratadas a fim de aumentar as habilidades funcionais do paciente.

Leia mais:

Referência:
- Rebelatto, J.R.; Morelli, J.G.S. Fisioterapia Geriátrica: A Prática da Assistência ao Idoso. Editora Manole. 2ª Edição; 2007.


5 de jun de 2014

A tecnologia a favor da qualidade de vida


Achei genial uma postagem que li hoje e por isso estou compartilhando aqui.
Todos nós sabemos o quanto a tecnologia tem inovado a cada dia na área da saúde e, dessa forma, contribuído significativamente para a melhora na qualidade de vida de pacientes que tenham alguma deficiência física ou não. Sabemos também que a quantidade de pessoas idosas que utilizam certos tipos de tecnologias, mantendo-os sempre em contato com o mundo, está aumentando consideravelmente com o passar dos anos.
Por isso, quem está antenado com mundo tecnológico e suas inovações, não pode deixar de ler a matéria. Ela faz referência a pessoas que tenham algum tipo de deficiência física e a algumas adaptações que podem ser feitas para o uso do iPad (um dispositivo (bem como outros tablets) que depende do toque para interação do usuário com a aparelho). 

Deixo logo abaixo o link da matéria:

Adaptações para iPad: conheça 8 opções para pessoas com deficiência física 

Informe-se e divulgue o conhecimento!

Fonte: Reab.me / Maior Portal de Reabilitação do Brasil

4 de jun de 2014

Artrite reumatóide: principais manifestações clínicas e fisioterapia

Como já foi comentado aqui sobre Artrite Reumatóide, abordarei nessa postagem as principais manifestações clínicas da doença, ou seja, as principais manifestações articulares e extra-articulares; os sinais e sintomas mais frequentes no paciente diagnosticado com artrite reumatóide.

Muitas vezes os sintomas iniciais estão relacionados às queixas de fadiga, dor muscular difusa e generalizada, fraqueza e perda de peso. Lentamente, os sintomas nos músculos esqueléticos vão se localizando em articulações específicas como o punho, o joelho, articulações dos dedos, das mãos e dos pés. Essas, geralmente, são as mais acometidas. Quando há complicações na coluna vertebral, normalmente limitam-se à coluna cervical, ocasionando dor nessa região.
A rigidez e a dor intensa que podem ocorrer após longos períodos de repouso (rigidez gel pós-repouso) têm uma duração aproximada de 30 minutos a várias horas. Essa característica difere da Osteoartrose, onde a rigidez pós-repouso dura cerca de 30 minutos apenas.
Com a progressão da doença são comuns o surgimento de algumas deformidades articulares, como as listadas a seguir:
  • Deformidade em pescoço de cisne:
     Hiperextensão da articulação interfalangiana proximal e flexão parcial da articulação interfalangiana distal.

Deformidade em Cisne
  • Deformidade em boutonnière:
     Flexão da articulação interfalegiana proximal e hiperextensão da articulação interfalegiana distal.

Deformidade em Boutonnière 
  • Dedos em garra ou dedos em martelo
A inflamação das metatarsofalangianas pode causar subluxação das cabeças dos metatarsos e causam essas deformidades mais comuns no pé de pacientes com artrite reumatóide.
Dedo em garra
Dedo em martelo
Em relação às manifestações extra-articulares, apesar de muitas delas serem incapacitantes, algumas têm tratamento a longo prazo. Logo abaixo, os principais sinais e sintomas da artrite reumatóide em estágio inicial:
  • Rigidez articular;
  • Dor articular;
  • Fadiga;
  • Fraqueza;
  • Depressão psicológica;
  • Edema;
  • Eritema palmar;
  • Pele úmida e fria;
  • Atrofia cutânea;
  • Atrofia muscular;
  • Contratura articular;
  • Nódulos;
  • Hérnia sinovial;
  • Perda de peso.
Uma outra manifestação comum da doença é o nódulo reumatóide. Essas lesões ocorrem usualmente em áreas de pressão, tais como a face extensora do cotovelo e dos dedos e o tendão de calcâneo, mas também podem ocorrer no coração, nos pulmões e no trato gastrintestinal. Os nódulos nesses órgão podem causar sérios problemas como arritmia cardíaca e falha respiratória.

E quais os principais objetivos da fisioterapia e seus recursos no tratamento de pacientes com artrite reumatóide?

Além das orientações do paciente e seus familiares sobre a doença, o tratamento fisioterápico  envolve objetivos que visam, principalmente, a sua capacidade funcional por meio de redução da dor, manutenção ou aumento da amplitude de movimento e da força muscular, promoção da estabilidade articular e redução da sobrecarga biomecânica sobre as articulações, aumento da resistência por meio do condicionamento cardiorrespiratório, promoção da independência para atividades de vida diária, melhora da eficiência e da segurança na marcha.
Assim como no tratamento da osteoartrose na sinovite reacional, na fase aguda da artrite reumatóide também consiste num período de repouso, o qual não deve ser muito prolongado (de até 2 horas durante o dia para eliminar a fadiga corporal e proteger as articulações envolvidas), e na orientação para a prevenção de deformidades como mostradas anteriormente.
Muletas, bengalas ou andadores também podem ser indicados para reduzir o estresse da descarga de peso e aumentar o equilíbrio. Os splints podem ser aplicados durante o repouso para prevenir movimentos excessivos e reduzir o estresse mecânico.
*Alguns exemplos de órteses para pacientes com artrite reumatóide:



Visto que o processo inflamatório resulta na destruição articular progressiva, o controle inflamatório deve ser o primeiro procedimento, associado ao repouso, às órteses e ao gelo, que também podem ser usados durante a fase aguda.
Exercícios para prevenção de contraturas, melhorar força e flexibilidade e aumentar o condicionamento aeróbico são componentes importantes para o programa de reabilitação. Vale lembrar que deve ser mantido um equilíbrio entre o repouso e as atividades. Uma observação a ser feita é que podem existir períodos nos quais os exercícios ativos devem ser evitados , mas o alongamento passivo permanece importante para prevenir as contraturas. A hidroterapia também pode ser benéfica para o condicionamento, o fortalecimento e a flexibilidade, pois o estresse mecânico permanece reduzido nas articulações imersas.
Leia mais sobre os efeitos da hidroterapia aqui: Efeitos da hidroterapia na prevenção de quedas.

Obs.: A cirurgia pode ser indicada nos casos em que o cuidado conservador é insuficiente  com relação ao controle de dor e ao nível de função, ou quando a progressão da destruição articular é incontrolável.

Saiba mais sobre artrite reumatóide:  Treating Rheumatoid Arthritis_The Past, Present and Possible Future

Referências:

- Rebelatto, J.R.; Morelli, J.G.S. Fisioterapia Geriátrica: A Prática da Assistência ao Idoso. Editora Manole. 2ª Edição; 2007.

- Link: Arthritis Health_Trusted Information for Arthritis Relief


1 de jun de 2014

A fisioterapia no tratamento da osteoartrose

A osteoartrose é uma doença reumática degenerativa que atinge as articulações sinoviais e caracteriza-se por apresentar alterações na cartilagem articular. Está associada com dor e rigidez articular, deformidade e progressiva perda de função, afetando o indivíduo em múltiplas dimensões: do nível orgânico até o social. 
Sua incidência é bastante elevada em nosso meio, sendo responsável pela incapacidade laborativa de cerca de 15% da população adulta no mundo. Aqui no Brasil, ocupa o terceiro lugar na lista dos segurados da Previdência Social que recebem auxílio doença, ou seja, 65% das causas de incapacidade, estando atrás somente das doenças cardiovasculares e mentais.
O acompanhamento dos pacientes com essa doença é indiscutível, uma vez que apresenta características irreversíveis, principalmente em estágios avançados, e progresso incapacitante.
De forma geral os objetivos da fisioterapia são direcionada para:
  • Redução ou alívio da dor e rigidez articulares;
  • Aumento da funcionalidade;
  • Redução da sensação parestésica;
  • Manutenção e aumento da força muscular;
  • Aumento da estabilidade articular;
  • Proteção articular;
  • Aumento da propriocepção e sensação cinestésica.
Também é importante enfatizar a orientação ao paciente sobre sua condição e a prevenção do desenvolvimento gradual da degeneração articular. Algumas complicações podem, muitas vezes, ser evitadas apenas com simples orientações!
Advertir o paciente sobre o controle de peso corporal (aumento de peso implica na progressão das lesões articulares), mostrar os benefícios da prática de atividades físicas orientada, recomendar e treinar o uso de órteses para reduzir a descarga de peso, promover a melhora do alinhamento articular, ou ainda, reduzir as instabilidades corporais do paciente.
Na maioria das vezes, nós, fisioterapeutas, somos solicitados a intervir em quadros em que a doenças já se encontra instalada. Dessa forma, as informações sobre o prognóstico da doença ao paciente e aos seus familiares torna-se imprescindível, pois muitos acreditam em uma cura a curto prazo, o que é incompatível com a osteoartrose. Os esclarecimentos são necessários para que o paciente se conscientize e contribua com o tratamento proposto pelo fisioterapeuta.

O repouso desses pacientes raramente deve ser absoluto, exceto em alguns casos avançados da doença. No entanto, nas fases agudas de sinovite, o repouso é fundamental para não aumentar o processo inflamatório (aumento da penetração de enzimas digestivas presentes no líquido sinovial com características inflamatórias). Em alguns casos especiais de cervicalgias, cervicobraquialgias ou lombalgias agudas que não respondem à terapia, a imobilização pode ser prescrita (uso de colar cervical ou coletes por um período limitado).
Articulações mais comprometidas
Ainda nessas condições, o fortalecimento da musculatura das demais articulações próximas àquela comprometida evitará os efeitos do desuso. Os exercícios exercem um papel importante na recuperação da hipotonia ou atrofia muscular.
Lembrar que o programa de tratamento adequado deve considerar a proteção das articulações durante exercícios físicos alcançada por meio de:
  1. Seleção de trabalho de baixo impacto;
  2. Evolução com condicionamento progressivo da musculatura antes de atividade mais vigorosa, como a pliometria;
  3. Inclusão de séries de alongamento e resistência;
  4. Redução da sobrecarga articular (hidroginástica ou posicionamentos alternativos em decúbitos diferentes);
  5. Uso de calçado com solado adequado para melhor absorção de impacto e redução de risco de quedas;
  6. Recomendação do uso de órteses rígidas ou semi-rígidas para correção ou suporte biomecânico.
Em relação à aplicação e benefícios dos recursos termoterápicos, os tratamentos baseados na elevação da temperatura intra-articular, como as modalidades de calor profundo, são inadequados no tratamento das sinovites secundárias que frequentemente surgem nas osteoartroses, sendo contra-indicadas quando houver componente inflamatório evidente, situação em que a crioterapia  deve ser preferida.
Quando as estratégias conservadoras falham, o paciente pode ser encaminhado para tratamento cirúrgico, como as artroscopias (para a limpeza articular), as osteotomias (para a correção do alinhamento articular ou para substituição articular). Nesses casos, o acompanhamento fisioterápico  pré e pós-operatório deve ser solicitado.
É importante considerar que a fisioterapia é indispensável, pois o plano de tratamento deve estimular o paciente proporcionando melhor qualidade de vida e permitindo que exerça as suas atividades com maior autonomia.

Referências:
- Greve, J.M.D; Plapler, P.G. et al. Tratamento fisiátrico da dor na osteoartrose. Revista Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo; 1992.

- Roimisher, S. Conceito, etiopatogenia e patologia da artrose. In Cruz Filho A.: Clínica Reumatológica; 1980.

- Threkeld, A.J.; Currier, D.P. Osteoarthritis: effects on synovial joints tissues. Physical Therapy; 1980.

- Rebelatto, J.R.; Morelli, J.G.S. Fisioterapia Geriátrica: A Prática da Assistência ao Idoso. Ed. Manole, 2ª edição; 2007.