"É preciso que todos os homens permaneçam seres humanos durante todo o tempo em que estiverem vivos." Simone de Beauvoir

26 de mai de 2014

Conhecendo a Doença de Parkinson

Segundo a Academia Brasileira de Neurologia, a Doença de Parkinson é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva. Ela é causada pela diminuição intensa da produção de dopamina (neurotransmissor que ajuda na transmissão de mensagens entre as células nervosas). A dopamina ajuda na realização dos movimentos voluntários do corpo de forma automática, ou seja, não precisamos pensar em cada movimento que nossos músculos realizam. Quando ela está em falta, particularmente em uma região encefálica chamada substância negra, o controle motor do indivíduo é perdido. Entenda que, com o envelhecimento, todos nós apresentamos morte progressiva de células nervosas que produzem dopamina. Entretanto, em algumas pessoas, essa perda acontece em um ritmo muito mais acelerado, manifestando assim os sintomas da doença.
É importante lembrar que, embora já se conheçam genes relacionados à doença de Parkinson, habitualmente ela não é hereditária. Não há como definir um risco real para filhos de pacientes também virem a desenvolver a doença. Os genes que favorecem o desenvolvimento do Parkinson possivelmente devem agir de forma indireta, juntamente com outros fatores (fatores ambientais, como contaminação com agentes tóxicos, por exemplo).

Sintomas
O quadro clínico é composto basicamente por quatro sinais:
  • Tremores;
  • Acinesia ou bradicinesia (lentidão e diminuição dos movimentos voluntários);
  • Rigidez (enrijecimento dos músculos, principalmente no nível das articulações);
  • Instabilidade postural.
Não é necessário que todos os sinais acima estejam presentes para o diagnóstico da doença, bastando apenas dois dos três primeiros itens citados. Esse conjunto de sinais e sintomas neurológicos é chamado de Síndrome Parkinsoniana ou Parkinsonismo. Doenças diferente e causa muito diversas podem produzir essa síndrome. Entretanto, em aproximadamente 70% dos casos, a principal causa dessa síndrome é a própria doença de Parkinson. Os demais casos relacionam-se a enfermidades ou condições clínicas nas quais os sintomas são semelhantes, porém outras características estão presentes e a história clínica e a evolução vão ajudar no diagnóstico diferencial.

E parkinsonismo secundário? Você sabe o que é?
Esse termo se refere a quando um paciente faz uso de certas medicações que causam alguns dos sinais e sintomas da Síndrome Parkinsoniana. Isso não quer dizer que o paciente tenha a doença, pois quando o uso dessas medicações é interrompido, os sintomas da síndrome são potencialmente revertidos. Portanto, quando um médico faz menção ao parkinsonismo ou síndrome parkinsoniana, ele não está se referindo necessariamente à Doença de Parkinson. 

Como a Doença de Parkinson se manifesta?
A doença costuma instalar-se de forma lenta e progressiva, em geral em torno dos 60 anos de idade, embora 10% dos casos ocorram antes dos 40 anos de idade (precoce) e até em menores de 21 anos (juvenil). Ela afeta ambos os sexos e todas as raças. Os sintomas aparecem inicialmente só de um lado do corpo e o paciente normalmente se queixa que "um lado não consegue acompanhar o outro". O tremor é caracteristicamente presente durante o repouso (tremor de repouso), melhorando quando o paciente move o membro afetado. Mas lembre-se: o tremor não está presente em todos os pacientes com a Doença de Parkinson, assim como nem todos os indivíduos que apresentam tremor são portadores da mesma.
O paciente percebe que os movimentos  com o membro afetado estão mais difíceis, mais lentos, atrapalhando suas atividades de vida diária. 

Tratamento
A Doença de Parkinson é tratável  e geralmente seus sinais e sintomas respondem de forma satisfatória às medicações existentes.
A fisioterapia, através da reeducação e a manutenção da atividade física , é indispensável  ao tratamento do paciente com parkinsoniano. Ela permite que o tratamento tenha maior eficácia; portanto, é necessária sob todos os pontos de vista, inclusive para melhorar o estado psicológico do paciente.
Os exercícios físicos conservam a atividade muscular e a flexibilidade articular. Quando os músculos estão inativos, tendem à atrofiar, à contração e à diminuição da força; e a rigidez resultante limita a amplitude dos gestos.

            Academia Brasileira de Neurologia


24 de mai de 2014

Quedas em Idosos: Você sabe quais são os fatores de risco extrínsecos?

O equilíbrio é o resultado da interação harmônica de diversos sistemas do corpo
humano: vestibular, visual, somatossensorial e musculoesquelético. Cada um desses sistemas possui componentes que, com o processo de envelhecimento, podem sofrer perdas funcionais que dificultam o funcionamento e a execução da resposta motora responsável pela manutenção do controle da postura e do equilíbrio corporal, o que, por sua vez, pode gerar prejuízos funcionais para o idoso em decorrência de quedas. 
A importância de identificar os fatores de risco para quedas em idosos está na possibilidade de planeja estratégias de prevenção, reorganização ambiental e de reabilitação funcional.
Assim, a avaliação dos fatores extrínsecos que podem resultar em quedas deve estar diretamente relacionada com a capacidade funcional de cada indivíduo. A partir dessa avaliação é possível passar orientações em relação ao ambiente como:
  • remoção de tapetes;
  • evitar que o idoso utilize escadas;
  • alertar quando o piso estiver molhado;
  • dispor os utensílios mais utilizados pelo idoso em locais mais acessíveis;
  • prestar atenção aos obstáculos no caminho (fios, móveis baixos, pequenos objetos, etc.);
  • usar corrimãos em corredores e banheiros;
  • dispor de uma iluminação adequada no ambiente doméstico;
  • ter cuidado com degraus altos e/ou estreitos;
  • prestar mais atenção em vias públicas mal conservadas, com buracos e irregularidades;
  • corrigir órteses que estejam inadequadas; etc.
Tais orientações e cuidados podem permitir ao indivíduo que esteja apresentando quedas frequentes (ou nem tão frequentes assim) demonstrar sua real capacidade na execução das suas tarefas de vida diária.

Leia mais sobre quedas _ Fatores Intrínsecos: Quedas em idosos: você sabe quais são os principais fatores de risco?

Aconselho checar os artigos de algumas referências abaixo. São muito interessantes!

Referências:
- Almeida, S.T. et al. Análise de fatores extrínsecos e intrínsecos que predispõem a quedas em idosos. Revista da Associação Médica Brasileira. Julho/Agosto, 2012.

- Horak, F.B. Postural orientation and equilibrium: what do we need to know about neural control of balance to prevent falls? Age Ageing, 2006.

- Ferraz, M., Barela, J., Pellegrini, A. Acoplamento sesório-motor no controle postural de indivíduos idosos fisicamente ativos e sedentários. Motriz, 2001.

- Masud, T., Moris, T.O. Epidemiology of falls. Age Ageing, 2001.

- Chen, Y., Hwang, S. et al. Risk factors for falls among elderly men in a veterans home. Journal of the Chinese Medical  Association, 2008. 

- Chang, J., Morton, S. et al. Interventions for the prevention of falls in older adults: systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials. BMJ, 2004.

- Rebelatto, J.R., Morelli, J.G.S. Fisioterapia Geriátrica: A prática da assistência ao idoso. Editora Manole. 2ª Edição, 2007.


23 de mai de 2014

Eletroterapia: contra-indicações e precauções em pacientes idosos

Como já foi comentado sobre a eletroterapia em uma postagem anterior (Eletroterapia: estimuladores e suas ações terapêuticas), é preciso conhecer as alterações orgânicas que ocorrem na terceira idade, bem como os riscos que os recursos eletroterápicos podem causar à saúde do idoso.
Assim, a estimulação elétrica não deve ser utilizada, ou deve ser aplicada com extremo cuidado de acordo com as orientações a seguir:
  • Não estimular eletricamente pacientes portadores de marcapasso cardíaco ou outros equipamentos elétricos implantados (pode ocorrer interferência entre os aparelhos);
  • Evitar o estímulo elétrico na região dos seios carotídeos ou da glote (pode haver interferência na pressão arterial);
  • Áreas com implantes metálicos;
  • Aplicar o estímulo com cuidado nos casos de doenças vasculares periféricas (principalmente quando há possibilidade de rompimento dos trombos);
  • Aplicar com cuidado em áreas com excesso de tecido adiposo (pode haver necessidade de altas doses de estimulação até que se observe a resposta desejada);
  • Evitar aplicações em áreas neoplásicas ou nos tecidos com infecção ativa (os efeitos circulatórios da estimulação podem agravas essas condições);
  • Pacientes senis, com dificuldade de fornecer informações sobre suas sensações, não devem ser submetidos a estimulação elétrica;
  • Monitorar a pressão arterial durante a aplicação em pacientes hiper ou hipotensos (a estimulação elétrica pode causar respostas autônomas).  
Precauções:
  • Deve existir um circuito isolado para cada equipamento;
  • Recomenda-se a utilização de estabilizadores de rede para isolar as oscilações da corrente;
  • Uso de fusíveis contra falhas de aterramento (proteção para o paciente e para o aparelho);
  • Os equipamentos devem ser tecnicamente aprovados;
  • Não usar estimuladores a menos de 3 metros de distância dos equipamentos de ondas curtas ou microondas;
  • Sempre checar o funcionamento do aparelho (controles, plugs, luzes, cabos, etc.);
  • Antes de aplicar os eletrodos no paciente, sempre girar os controles de amplitude de saída para o "zero", ajustar os parâmetros e aumentar gradativamente a amplitude da estimulação. Após a aplicação, reduzir a intensidade antes de desligar o aparelho;
  • Nunca aumentar a amplitude durante o tempo "off";
  • Nunca remova os eletrodos enquanto a corrente estiver sendo aplicada no paciente;
  • Utilizar eletrodos em bom estado (se o acoplamento não for adequado, observa-se uma significativa queda na tolerância do paciente à corrente);
  • Utilizar uma generosa camada de gel entre o eletrodo e a pele do paciente idoso (lembre-se: o ressecamento e aspereza da pele é um dos aspectos mais fáceis de se observar na terceira idade);
  • Sempre explicar os procedimentos ao paciente: descrever as sensações que ele deverá ter e interromper o tratamento se as percepções do paciente não forem as previstas;
  • Após a aplicação, observar o estado de pele sob os eletrodos (uma densidade de corrente muito alta pode causar lesões dérmicas, sem que o paciente perceba (diminuição da sensibilidade tátil na terceira idade)).

Referência:
- Rebelatto, J.R.; Morelli, J.G.S. Fisioterapia Geriátrica: A prática da assistência ao idoso. 2ªEdição; Editora Manole, 2007. 

19 de mai de 2014

Avaliação funcional do idoso: Timed Up and Go test

Na busca por diagnosticar os parâmetros clínicos preditores do risco de quedas em idosos, foram desenvolvidos diversos instrumentos para avaliação do controle postural. Entre eles está o Timed Up and Go test, o qual tem apresentado bons resultados como teste de equilíbrio envolvendo manobras funcionais como: levantar-se, caminhar, dar uma volta e sentar-se.
O TUG é uma ferramenta de triagem comumente utilizada para riscos de queda em pacientes internados ou em ambiente comunitário. Seu objetivo principal é avaliar a mobilidade e equilíbrio. Foi desenvolvido em 1991 como uma versão modificada do Get Up and Go test
Para realizar o teste como descrito na versão original, o paciente é cronometrado enquanto se levanta de uma cadeira (de aproximadamente 46cm), caminha em uma linha reta de 3 metros de distância (em um ritmo confortável e seguro), vira, caminha de volta e senta-se sobre a cadeira novamente. É aconselhado que o paciente faça o percurso para se familiarizar com o teste antes de iniciá-lo. Ele também deve usar o seu calçado habitual e apoio para caminhar (bengala, andador) se necessário.

Distância entre a cadeira e a linha

Um tempo mais rápido indica um melhor desempenho funcional, enquanto que um tempo mais baixo indica maior risco de quedas em ambiente comunitário. O National Institute of Clinical Evidence (NICE) guidelines defendem o uso do TUG para a avaliação da marcha e equilíbrio na prevenção de quedas em pessoas idosas.

(NICE Clinical Guidelines; 2004)
 
Até o momento, três revisões sistemáticas examinaram a utilidade clínica do TUG para discriminar entre aqueles com baixo e alto risco de queda. A revisão sistemática mais recente relatou que a diferença média agrupada no tempo necessário para completar o TUG, entre aqueles que caem e os que não caem, dependia do status funcional da linha de base de coorte dos pacientes sob investigação.

(NICE Clinical Guidelines; 2004)



Referências: 

- Barry, E.; Galvin, R.; Keogh, C.; Horgan, F.; Fahey, T. Is the Timed Up and Go test a useful predictor of risk of falls in community dwelling older adults: a systematic review and meta-analysis. BioMed Cetral; 2014.

- Karuka, A.H.; Silva, J.A.M.G. et al. Análise da concordância entre instrumentos de avaliação do equilíbrio corporal em idosos. Revista Brasileira de Fisioterapia; 2011.

- Paula, F.L.; Júnior, A.; Drummond, E.; Prata, H. Teste timed up and go: uma comparação entre valores obtidos em ambientes fechado e abertos. Fisioterapia em Movimento; 2007.

- Rose, D.J.; Jones, C.J.; Lucchese, N. Predicting the probability of falls in community-residing older adults using the 8-foot up-and-go: a new measure of functional mobility. JAPA; 2002.

- Podsiadlo, D.; Richardson, S. The Timed “Up & Go”: a test of basic functional mobility for frail elderly persons. Journal American Geriatric Society; 1991.
 
- Mathias, S.; Nayak, U.S.; Isaacs, B. Balance in elderly patients: the “Get-up and Go” test. Arch Phys Med Rehabil; 1986.


17 de mai de 2014

Eletroterapia: estimuladores e suas ações terapêuticas

A aplicação de recursos eletroterápicos em idosos requer cuidados individuais e muito conhecimento das alterações orgânicas que ocorrem nessa etapa da vida. Antes de estabelecer qualquer prescrição é essencial  conhecer os vários fatores de riscos envolvidos, pois os possíveis benefícios dos recursos também podem induzir prejuízos ao paciente. 
Os inúmeros equipamentos encontrados no mercado, por vezes, confundem as tomadas de decisões clínicas na hora da aplicação. O mais importante é saber que todos eles são estimuladores elétricos transcutâneos, e muitos também são estimuladores elétricos nervosos transcutâneos (TENS), por serem aplicados através da pele com o objetivo fisiológico de excitar nervos periféricos. Portanto, qualquer estimulador eletroterápico é essencialmente uma unidade de TENS (Transcutaneous Electrical Nerve Stimulation), desde que utilize eletrodos de superfície e estimule nervos periféricos.

Principais Ações Terapêuticas

Analgesia
A Teoria da Comporta de Dor (Controle de Barreira), proposta por Melzack e Wall, sugere que a aplicação da corrente elétrica é capaz de interferir nos mecanismos de transmissão dos sinais de dor ao longo do sistema nervoso central, criando barreiras para a transmissão do impulso doloroso até as vias neurais superiores. É importante lembrar o posicionamento dos eletrodos, pois quanto mais perto da área dolorosa a TENS for aplicada, maiores as chances dos estímulos dolorosos serem inibidos.
É provável que os efeitos excitatórios  diretos da TENS desencadeiem  outras reações fisiológicas indiretas como a liberação de substâncias analgésicas endógenas (endorfinas, encefalinas e serotonina, por exemplo).

Fortalecimento Muscular
Os estudos que envolvem a NMES (Estimulação Elétrica Neuromuscular) são bastante controversos devido a grande diversidade nos procedimentos metodológicos e o uso de diferentes parâmetros de estimulação. A maioria dos estudos tem indicado que quando essa corrente é aplicada em músculos sadios, não há ganhos de força muscular. Por outro lado, quando é aplicada em pacientes que, por alguma razão, não podem realizar voluntariamente um treinamento de exercícios com contração de alta intensidade, a NMES tem um papel importante para a recuperação dos níveis de força normais do paciente. Estudos também confirmam a capacidade dessa corrente em substituir o treinamento ativo como meio para a manutenção da força muscular em períodos de imobilização, repouso prolongado e outras situações que envolvam a diminuição da atividade muscular. Dessa forma, evitando ou minimizando os efeitos do desuso.
O aumento na capacidade contrátil do músculo paralisado, treinado com a NMES, pode ser devido ao aumento na síntese das proteínas contráteis, além de outras alterações secundárias, tais como o aumento no número de mitocôndrias e no volume do retículo sarcoplasmático.

Estimulação Elétrica Funcional (EEF/"FES")
As várias fórmulas de estimulação elétrica funcional têm sido desenvolvidas com intuito de melhorar o controle das contrações voluntárias do músculo esquelético, ou seja, torná-las mais funcionais. Em muitos pacientes  com lesões no SNC ou nos nervos periféricos, o controle sobre os músculos pode estar prejudicado. Nessas circunstâncias, a estimulação elétrica pode facilitar a execução de movimentos funcionais ou manter o alinhamento postural para a execução desses movimentos.
Diverso trabalhos têm demonstrado melhoras na ativação voluntária do músculo esquelético em pacientes hemiplégicos e paraplégicos com o uso da FES. É provável que isso ocorra não só pela ativação direta dos motoneurônios durante a realização das atividades, mas também por facilitar o feedback sensorial decorrente da passagem de corrente.
Os grupos musculares que serão ativados e as atividades que serão executadas a partir dessa estimulação variam muito, pois dependem da condição clínica do paciente e da criatividade do fisioterapeuta.

Cicatrização de Tecidos
Os idosos estão entre os grupos mais susceptíveis a sofrerem retardo de cicatrizações em feridas superficiais. Alguns autores sugerem que a sequência de eventos no processo proliferativo da cicatrização pode sofrer interrupção no caso de feridas crônicas. Assim, a estimulação elétrica por parte dos equipamentos poderia reiniciar esse processo. Hoje, várias configurações de correntes elétricas são indicadas, tais como a galvânica, a interferencial, as correntes de alta voltagem e as microcorrentes. Com o uso da corrente elétrica, ocorrem várias modificações em níveis celulares, como: formação de fibroblastos e osteoblastos; alterações na microcirculação arterial, venosa e linfática; modificações na concentração de células sanguíneas; modificações no tamanho e na concentração de mitocôndrias; e aumento da síntese protéica. Todas essas alterações levariam a um aumento no metabolismo e na nutrição celular. Acredita-se que o aumento da síntese protéica e o aumento na formação do colágeno seriam dois fatores particularmente relevantes  no processo de cicatrização de tecidos.

Controle de Edemas
O tratamento de edemas estimulação elétrica mostrou bons resultados em pacientes com linfedema secundário a mastectomia radical, ou ainda, em casos de edema associado com trauma agudo. Ainda não estão esclarecidos os mecanismos pelos quais a estimulação elétrica diminui o edema. Porém, o mecanismo mais aceito é que há melhora da reabsorção do fluxo venoso e linfático como resultado da ação de bombeamento dos músculos. O bombeamento muscular estimulado eletricamente melhora os gradientes de pressão desde o interstício até o sistema vascular. Como a pressão hidrostática intersticial é aumentada causando reabsorção do fluido, a pressão hidrostática capilar é consequentemente aumentada, criando um gradiente de pressão da periferia ao átrio direito.

Resumindo:
Principais ações terapêuticas dos estimuladores



Note que a corrente galvânica não está presente na tabela acima. Embora ela tenha sido usada na prática clínica ao longo dos anos, a sua aplicação tende a cair em desuso. Isso se deve ao desconforto produzido pela estimulação e ao risco de destruição tissular. As correntes pulsadas, com durações de fase mais curta, tendem a ser mais eficazes no alívio da dor e muito mais confortáveis para o paciente.

Leia mais: Eletroterapia: contra-indicações e precauções em pacientes idosos 

Referência:
- Rebelatto, J.R.; Morelli, J.G.S. Fisioterapia Geriátrica: A Prática da Assistência ao Idoso. Editora Manole, 2ª edição; 2007.

15 de mai de 2014

Intervenção fisioterápica neurológica

O idoso com dano neurológico decorrente de qualquer processo mórbido apresentará limitação funcional como consequência de alterações nos sistemas neuromuscular, musculoesquelético ou sensorial, realizando compensações, ou seja, movimentos e posturas anormais que com o passar do tempo podem comprometer ainda mais a sua funcionalidade. E como fisioterapeutas, devemos estar cientes de tais compensações.
Como consequência do dano neurológico, decorrente de doenças como AVE, traumatismo cranioencefálico ou processos neoplásicos, os idosos apresentam tônus e movimentos anormais, resultando em incapacidades físicas que contribuem para o déficit funcional. Em detrimento à lesão do motoneurônio superior observamos a presença de espasticidade e reações associadas (sintomas positivos), e incapacidade de gerar força muscular adequada ou seleção inapropriada de músculos durante o desempenho de uma tarefa (sintomas negativos).
Na maioria dos casos a espasticidade desenvolve-se gradualmente, determinada não apenas pela extensão e pela gravidade da lesão, mas também pelas influências ambientais e psicológicas. As principais características da espasticidade são: maior reflexo de estiramento (ou miotático), postura anormal e padrões de movimento em massa, co-contração inadequada e incapacidade de desempenhar movimento isolado em uma articulação ou exagero de reflexos exteroceptivos, como retirada em flexão, espasmos extensores e sinal de Babinsk.
Considerando que o idoso, na maioria dos acasos, já apresenta redução na força, a associação da espasticidade pode gerar incapacidade generalizada, pois o movimento somente poderá ser realizado com muito esforço, impedindo o desempenho de atividades funcionais básicas como manipulação e locomoção. A intervenção fisioterápica, nesses casos, deverá enfatizar os componentes dos padrões de movimento comprometidos por meio da inibição da espasticidade e facilitação do movimento normal, gera uma imagem proprioceptiva normal do movimento e maior habilidade no reaprendizado do movimento seletivo. A facilitação de um movimento mais funcional com redução da quantidade de esforço exigido  e orientações explicando ao paciente a causa  e o efeito dessa complicação e reações associadas, contrariamente à tentativa de inibi-las, proporciona uma intervenção mais apropriada.
Como já foi dito, o dano neurológico resultará em impedimentos do sistema neuromuscular, como o desequilíbrio na coordenação dos grupos musculares  e a espasticidade, bem como em impedimentos do sistema musculoesquelético. Em pacientes geriátricos neurológicos a redução de força observada é relevante e deve ser considerada o principal impedimento primário da limitação das atividades funcionais. A partir da observação da fraqueza muscular associada à restrição articular ou à espasticidade, há necessidade em restaurar a amplitude de movimento articular e em sequência restabelecer o desempenho muscular necessário para execução de atividades funcionais. É comum, na prática clínica, a intervenção por meio da associação de várias técnicas combinadas como mobilização articular, FNP e eletroestimulação.
É importante lembrar que o restabelecimento do controle postural também é parte essencial do tratamento, pois o controle do corpo é determinante para estabilidade e orientação de habilidades como locomoção e manipulação, indispensáveis para a independência do indivíduo. O tratamento deve incluir estratégias para a melhora do alinhamento postural vertical por meio de estímulos visuais ou verbais, melhora do controle postural dinâmico (movimentos de membros superiores, tronco superior ou membros inferiores), melhorando a utilização de estratégias para evitar quedas.
Um idoso após ter sofrido um AVE possui alteração de marcha e de manipulação por incapacidade de recrutamento muscular, por isso será determinado treino de força de músculos específicos e, posteriormente, realização de alguma atividade funcional como realização de uma passada sem apoio externo ou  encaixe de um objeto. Dessa forma, associa-se a funcionalidade como forma de verificação dos objetivos e condutas ao final de cada sessão, além da melhora  da motivação pela demonstração dos progressos, ainda que pequenos, numa mesma sessão.

Leia mais sobre espasticidade: Combatendo a espasticidade

Referências: 
- Shumway-Cook, A.; Woollacott, M.H. Motor Control: Theory and practical applications. Baltimore, Willians & Wilkins, 1995.
- Duthie, E.H. Practice of geriatrics. Saunders Company, 1998.
- Rebelatto, J.R.; Morelli, J.G.S. Fisioterapia Geriátrica: A prática da assistência ao idoso. Manole; 2º Edição, 2007.

13 de mai de 2014

Pesquisa visa reduzir riscos de acidente de idosos dentro de casa

Uma matéria divulgada recentemente pelo Jornal Nacional, mostrou uma pesquisa do Instituto Nacional de Tecnologia que vai montar um banco de dados com as medidas corporais de idosos brasileiros. O objetivo é melhorar a qualidade de vida dessa população e reduzir o risco de acidente dentro de casa.
O Instituto Nacional de Tecnologia, o INT, pretende criar uma base de dados do corpo humano, especificamente da população idosa do país. Um estudo pioneiro no mundo, feito com a captura de imagens de postura e movimentos.
O objetivo é que poltronas, camas e armários, por exemplo, possam ser readaptados para facilitar o dia-a-dia de quem já passou dos 60.
“Melhorar a qualidade de vida do idoso, evitando acidentes domésticos que são acidentes que às vezes incapacitam uma pessoa ou afastam do convívio social que ela tem”, explica Cristina Zamberlan, do laboratório de Ergonomia do INT.
As pesquisas do INT não se limitam ao laboratório. Os pesquisadores também vão a campo, para coletar dados em situações reais.
Os sensores capturam todos os movimentos realizados pelos idosos em suas atividades de vida diária.

11 de mai de 2014

Os idosos são como crianças?

"Muitos idosos são dependentes, perdem sua capacidade funcional, necessitam de ajuda para cuidados pessoais, alimentação, fazer suas atividades de vida diária, evitar quedas... e às vezes expressam suas emoções através de choro ou outras condutas, porque não sabem (ou não podem) expressá-las de outra maneira.
Quando digo que podem ser comparados à crianças, é apenas no bom sentido da palavra. De fato, tanto crianças quanto idosos, necessitam de cuidados, atenção, paciência, carinho, compreensão e muita habilidade para lidar com eles. Mas sempre devemos lembrar que as pessoas idosas têm uma história de vida e de superação de dificuldades. 
Um post muito comentado esses dias (Por que não devemos falar com idosos como se fossem crianças), também se refere a esse assunto. Linguagem e tratamento infantis como formas pouco recomendáveis de nos comunicar com as pessoas idosas, sobretudo em situações de dependência. Algumas pessoas até consideram isso como uma forma de maltrato.
Segundo esse post do parágrafo anterior, utilizar diminutivos em excesso, usar um tom de voz infantil, falar continuamente em um tom muito alto, não levar em consideração o que o idoso diz, uso de muitos termos afetivos (em inglês se chama "elderspeak"), não são boas formas para conseguir uma boa comunicação com eles.
É certo que, às vezes, existem idosos que necessitam de uma adaptação em nosso vocabulário e uso de linguagem diferenciada para que haja entendimento: falar mais alto se não escuta bem (mas podemos nos aproximar e falarmos em tom normal), elaborar frases curtas para que o idoso processe mais rápido e melhor a informação, utilizar termos carinhosos ou afetivos se for reconfortante para a pessoa e talvez assim conseguimos arrancar um sorriso, etc.
Mas impor nossos critérios sem escutá-los, tratá-los como se não fossem capazes de fazer absolutamente nada por si mesmos, recorrer a frases com diminutivos, apelativos carinhosos ou até mesmo piadas (nem todo mundo gosta disso), ou considerar que reclamam muito porque eles estão "cheios de doenças da idade" pode gerar desconforto aos idosos, e causar ou potencializar uma barreira que dificulta a sua colaboração."

O debate proposto pelo fisioterapeuta Miguel López, em seu blog Tufisio.net, é bastante amplo. Acredito que os idosos não são como crianças e também não devem ser tratados como tal. Até mesmo essa comparação poderia ser evitada. Considerá-los e tratá-los como crianças são atitudes que vão de encontro a sua dignidade. 
Basta lembrar: Adaptar a linguagem, encontrar outras maneiras mais adequadas de se comunicar com os idosos, tratar com carinho... mas não precisamos "infantilizar"!


6 de mai de 2014

Método oriental ajuda no combate ao Alzheimer

Uma pesquisa envolvendo estudos sobre a prática de um método de Tai Chi Chuan foi premiada em uma disputa que envolveu 44 artigos. O Prêmio Eric Roger Wroclawski, na categoria saúde multiprofissional, foi entregue ao artigo desenvolvido pela Doutora Juliana Yumi, que utilizou um método de prática de Tai Chi Chuan desenvolvido pela diretora presidente da Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan (SBTCC), Maria Ângela Soci.
A pesquisa foi realizada no Hospital das Clinicas, São Paulo, dentro do PROPES (Programa de Envelhecimento Saudável) idealizado pelo Dr. Wilson Jacob.
De acordo com o artigo, a prática da atividade resultou em significativa melhora da memória e da auto-percepção (queixas relatadas) das 26 idosas (acima de 60 anos) analisadas, em apenas três meses de exercícios.
Nas últimas décadas vem ocorrendo um envelhecimento populacional devido a uma contínua queda da fecundidade e aumento da expectativa de vida. Portanto, a procura por intervenções para reduzir a
prevalência de afecções relacionadas à idade avançada tem se tornado cada vez mais necessária.
É bom salientar que o Tai Chi Chuan contribui de forma terapêutica, física e mental, sendo de todas as práticas a mais suave e fácil de ser aprendido.
Seu poder de rejuvenescimento tanto físico como mental, tem sido comprovado pois, abaixa a pressão sangüínea, irriga as articulações, estimula a circulação, mobiliza o sistema imunológico, tudo isso sem stress ou tensão.
Estudos publicados no ocidente e no oriente mostram que mesmo sendo um tipo de exercício de baixa velocidade, o Tai Chi Chuan ainda melhora a saúde cardiovascular e a forma das pessoas, além de aliviar os estados depressivos.

Leia mais: Tai Chi Chuan é destacada por Havard como atividade física ideal para os idosos

 

Efeitos da hidroterapia na prevenção de quedas

As quedas na população idosa e seus principais fatores de risco, como já foi abordado aqui (Quedas em idosos: você sabe quais são os fatores de risco?), são um dos maiores problemas de saúde pública. Isso se deve ao aumento da morbidade, mortalidade, custos para a família e para a sociedade. E esse é um problema que não ocorre apenas no nosso país. Segundo dados da literatura, os Estados Unidos têm um custo anual de 10 bilhões de dólares no tratamento de fraturas de quadril em idosos decorrente das quedas. No Brasil, são gastos 12 milhões anuais, apesar do alto índice de fraturas. Não quero aqui comparar um país com o outro, mas é impossível não notar tamanha discrepância quando o assunto é saúde.
Para a prevenção das quedas, é necessário aprimorar as condições de recepção de informações sensoriais do sistema vestibular, visual e somatossensorial, ativando os músculos e estimulando o equilíbrio do paciente. Não é novidade que a atividade física melhora a qualidade de vida, reduz o risco de quedas e promove aumento da força muscular, do condicionamento aeróbico, da flexibilidade e do equilíbrio. Nesse contexto, a hidroterapia tem sido utilizada no tratamento de doenças reumáticas, ortopédicas e neurológicas. É uma prática da fisioterapia bastante eficaz para os idosos, permitindo o atendimento de grupos e a facilitação da recreação, socialização, treinos focando a funcionalidade, melhorando a auto-estima e a autoconfiança. Com isso se torna mais fácil a manutenção da atividade por um longo período, fazendo com que a hidroterapia em grupo se torne cada vez mais indicada para essa população.
As propriedades físicas da água, somadas aos exercícios, podem cumprir com a maioria dos objetivos físicos propostos num programa de reabilitação. O meio aquático é considerado seguro e eficaz na reabilitação do idoso, pois a água atua simultaneamente nas desordens musculoesqueléticas e melhora o equilíbrio. Existe a diminuição da sobrecarga articular, menor risco de quedas e, consequentemente, menos lesões se compararmos com os exercícios realizados no solo. Além disso, a flutuação permite que o paciente realize os movimentos com maior facilidade. Vale lembrar que a água precisa estar aquecida, pois isso ajuda a reduzir as dores e os espasmos musculares. E como todo e qualquer outro exercício, também existe algumas contra-indicações como infecções de pele (ou qualquer outra doença infecciosa que possa ser transmitida pela água), problemas gastrointestinais ou renais graves, entre outros. O importante, antes de começar qualquer exercício, é consultar um profissional especializado, o qual pode orientar sobre as condições de cada paciente.

Fisioterapia e artrite reumatóide

Artrite reumatóide é uma doença sistêmica do tecido conjuntivo de etiologia ainda desconhecida, que leva à deformidade e à destruição das articulações por erosão do osso e da cartilagem. Essa doença afeta predominantemente as mulheres, sendo mais comum na faixa etária dos 50 aos 70 anos.
O diagnóstico da doença depende dos sintomas e sinais clínicos apresentados, exames laborais e radiográficos. Os critérios para o diagnóstico são: rigidez matinal durante mais de uma hora, artrite de três ou mais articulações, artrite das mãos, artrite simétrica, fator reumatóide positivo, presença de nódulos reumatóides e alterações típicas no raio X.  Esses são os critérios de classificação do Americam College of Rheumatology (1987). O paciente deve ter pelo menos 4 dos 7 critérios acima, durante pelo menos 6 semanas. Sendo confirmada a doença, é ideal que o paciente inicie a fisioterapia, pois, precocemente, auxilia a evitar deformações.
E quais os principais objetivos?
A fisioterapia visa melhorar e manter a qualidade de vida do paciente. Mais especificamente, tem como objetivos: controlar a dor, aumentar e/ou manter a amplitude de movimento articular e força muscular, e manter a função motora.
É imprescindível  a realização de exercícios. Quando o corpo está ativo, as articulações ficam mais flexíveis, preservando assim as suas funções motoras. Não importa a fase da artrite reumatóide (subaguda, aguda, crônica), movimente-se! Os músculos mais fortes impedem que as articulações acometidas pela doença se deformem. Os exercícios terapêuticos são realizados, frequentemente, no ambulatório,  mas os pacientes também são orientados para que continuem o tratamento em domicílio "TODOS OS DIAS". É importante que ele saiba o quanto a sua participação no tratamento é importante.
Alongamentos, exercícios passivos, ativo-livres, treinamento de marcha, exercícios aeróbicos... existem uma gama de exercícios que podem ser realizados de acordo com o quadro de cada paciente.
Esses exercícios são reconhecidos como a grande estratégia de reabilitação para pacientes com artrite reumatóide, permitindo melhora do fluxo sanguíneo e do metabolismo articular, reduzindo edema e rigidez. Eles podem ser realizados no solo ou na água, sendo que para cada ambiente há diversos métodos e técnicas que podem ser aplicados. A hidroterapia também é muito útil, pois a temperatura da água relaxa e a turbulência pode ser adotada a favor do exercício, resistindo ou facilitando.

Deixo aqui um vídeo de curta duração, porém muito explicativo sobre a doença. Lembrando: os exercícios não são iguais para todos os pacientes. O que é eficaz para uma pessoa, pode não ser para outra. Não tomem todos os exercícios como regras. É importante a orientação de um profissional para saber quais são os melhores exercícios para você. Ok?!
Obs.: O vídeo é de Portugal, mas você pode compreendê-lo perfeitamente. :)







2 de mai de 2014

Exercício físico no tratamento e prevenção da osteoporose

A osteoporose é uma doença metabólica do tecido ósseo, caracterizada por perda gradual da massa óssea, que enfraquece os ossos por deterioração da microarquitetura tecidual óssea, tornando-os mais frágeis e suscetíveis a fraturas. A perda da independência funcional, decorrente da incapacidade de deambular, é a principal consequência da fratura de quadril, seja por limitação funcional ou por medo de quedas. E a inatividade física leva à piora da osteoporose, aumentando ainda mais os riscos de quedas e novas fraturas.
A atividade física ou a prática regular de exercícios físicos influenciam a manutenção das atividades normais ósseas, e por este motivo a atividade física vem sendo indicada no tratamento da osteoporose. Entretanto, a relação entre atividade física, exercício físico e osteoporose tem levado pesquisadores a abordar várias discussões sobre este assunto, buscando melhor conhecimento sobre fatores como a intensidade, frequência e duração dos exercícios utilizados como método de prevenção e tratamento da patologia. 
Atualmente, o exercício físico vem sendo utilizado no tratamento e na prevenção da osteoporose, e para que seja empregado da melhor forma, é necessário que o profissional tenha um conhecimento apurado sobre o efeito desse tipo de atividade na composição óssea dos idosos, pois eles podem apresentar ossos frágeis, o que pode levar (dependendo do tipo de exercício) ao risco de fratura.
Os exercícios mais estudados na literatura científica referente ao tratamento da osteoporose foram os de extensão isométrica de tronco (realizados em posição antigravitacional), exercícios em cadeia cinética aberta, corridas, caminhadas e exercícios de equilíbrio e coordenação. Esses exercícios apresentam benefícios múltiplos, como a diminuição da perda óssea, fortalecimento muscular, além da melhoria do equilíbrio, prevenindo assim futuras complicações causadas por quedas.
A suplementação de cálcio e vitamina D também tem grande importância no tratamento e na prevenção da osteoporose. Sabe-se que os ossos têm função de armazenamento de cálcio, e este, quando ingerido em quantidades adequadas, pode trazer grandes benefícios, principalmente para o idoso acometido pela osteoporose, pois o consumo aumenta sua concentração no sangue e nos ossos.
Os exercícios aeróbios também possuem efeitos eficientes na prevenção da osteoporose, quando combinados com exercícios de força, de alta resistência e complementados com a ingestão de cálcio e vitamina D. Quando são praticados sem combinação e de forma regular, não apresentam eficiência na prevenção da perda da massa óssea. Dessa forma, é importante ressaltar que, apesar dos exercícios aeróbios serem considerados pouco eficientes pela literatura científica, por não demonstrarem um aumento significativo da massa magra, não é possível avaliar esse tipo de exercício como uma modalidade terapêutica contra-indicada, e sim uma modalidade que não deve ser empregada de maneira isolada na prevenção e tratamento da osteoporose. 
Os exercícios de alto impacto mostraram-se também eficientes, pois esse tipo de exercício exige maior resistência óssea, expondo, assim, esses ossos a episódios de estresse - o que por um lado causa efeitos positivos quanto à rigidez desses ossos, mas que por outro lado pode causar fraturas quando eles são expostos a extremo grau de estresse
Dessa forma, podemos afirmar que a prevenção da osteoporose por meio de exercícios físicos pode ser realizada desde as fases da infância até a velhice, pois a manutenção de hábitos de vida saudáveis como a prática de exercícios físicos tem grande parcela de contribuição para a diminuição de possíveis complicações provenientes da velhice. 



Para mais detalhes do assunto exposto, deixo o link original do artigo científico logo abaixo:
 

Envelhecimento prejudica tomada de decisões racionais, diz estudo

O processo de envelhecimento afeta, entre outras funções cerebrais, a capacidade que uma pessoa tem de fazer escolhas racionais, aponta um novo estudo (2013) coordenado pela Universidade de Sydney, na Austrália, em parceria com as universidades Yale e de Nova York, nos EUA. Os resultados foram publicados na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences" (PNAS).
A cientista Agnieszka Tymula e seus colegas examinaram diferenças na tomada de decisões em 135 indivíduos entre 12 e 90 anos, com foco na racionalidade, na consistência das escolhas e nas preferências de cada um diante de riscos conhecidos e desconhecidos, envolvendo perda ou ganho de dinheiro.
Segundo os autores, adultos com 65 anos ou mais – mesmo saudáveis – tomaram decisões "surpreendentemente inconsistentes" em comparação com os voluntários mais jovens, o que revela uma perda nessa habilidade cognitiva de forma semelhante a outros declínios funcionais relacionados à idade avançada.
Ao observar como os idosos avaliam os riscos na hora de fazer escolhas, os pesquisadores identificaram um comportamento semelhante ao dos adolescentes. Isso significa que, ao longo da vida, parece haver uma curva em forma de U invertido que guia as pessoas: os riscos são ignorados no início, depois levados em conta na meia-idade, até voltarem ao primeiro estágio.
Essas decisões pouco racionais podem envolver desde temas ligados à riqueza (idosos assumem empréstimos com taxas de juros mais altas ou subestimam o valor de seus imóveis), até à saúde (falham ao escolher planos de saúde adequados) e à política (são mais propensos a cometer erros em votações).
No entanto, os cientistas destacam que a população acima dos 65 anos continua crescendo em todo o mundo, mesmo com a saúde e a qualidade de vida prejudicadas. Cerca de 13% dos idosos com mais de 71 anos sofrem de algum tipo de demência e 22% apresentam um declínio cognitivo grave, segundo os autores.

Fonte: G1

Quedas em Idosos: Você sabe quais são os principais fatores de risco?

As quedas são a principal causa de acidentes nos idosos, e ocorrem em sua maioria nas suas próprias residências. Como consequência, as quedas podem provocar inúmeros danos físicos como traumatismos, fraturas, declínio funcional, e em muitos casos a morte. Esses acidentes domésticos também podem comprometer significativamente a qualidade de vida, pois a maioria dos idosos após um episódio de queda tornam-se parcial ou totalmente dependentes para a realização de suas atividades de vida diária. Ou seja, ao mesmo tempo em que provocam danos físicos, também causam repercussões psicológicas e sociais na vida do idoso. Além disso, as quedas acarretam custos para a comunidade. Em 2012, foram 27.817 internações por quedas de pessoas com mais de 60 anos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Diante disso, você saberia responder quais são os principais fatores de risco das quedas?
Esses fatores podem ser classificados em três categorias: intrínsecos, extrínsecos e comportamental.
Abordo aqui os fatores "intrínsecos" e mais recorrentes na literatura científica. São eles:
  •  Idade: Existe uma maior prevalência de quedas em idosos;
  • Sexo Feminino: Na população com faixa etária mais elevada, a proporção de mulheres que sofrem alguma queda é maior que os homens;
  • História prévia de quedas: Uma ou mais quedas sofridas anteriormente aumentam o risco de um novo acidente;
  • Medicamentos: A interação medicamentosa pode interferir na visão, percepção, equilíbrio, ou outros pontos, contribuindo para o aumento das quedas;
  • Problemas na marcha e no equilíbrio: Pode ser consequência do próprio envelhecimento ou de algum outro fator que comprometa a marcha;
  • Condições Clínicas: Algumas doenças como hipertensão, diabetes, doenças neurológicas, podem afetar a força muscular, o equilíbrio e a marcha, precipitando uma queda;
  • Sedentarismo: Pode causar disfunções músculo-esqueléticas;
  • Estado psicológico: o medo de cair novamente interfere no desempenho das atividades físicas e sociais na vida do idoso;
  • Deficiência Nutricional: Está relacionada à distúrbios de marcha, osteoporose e perda de força muscular;
  • Doenças ortopédicas: alguns comprometimentos ortopédicos podem causar desequilíbrio;
  • Declínio cognitivo: independente do grau de déficit cognitivo, por menor que seja, é sempre um fator de risco para quedas;
  • Estado funcional: quanto mais dependente for o idoso, maior o risco de acidentes.  
*Mais detalhes nas próximas postagens! :)

Por que o Pilates é tão importante para os idosos?

Com o passar dos anos, você vai perdendo massa muscular e óssea, e percebe que não tem mais a mesma flexibilidade e força de anos atrás. A falta de equilíbrio pode causar algumas quedas, e mesmo cuidando da alimentação, a gordura corporal só aumenta. Envelhecer pode não ser fácil mas é um processo natural e totalmente necessário. É quando todo o corpo se modifica para assumir uma nova fase: a terceira idade. É possível fazer com que todas essas transformações apresentem condições favoráveis para se manter a autonomia e a independência e, nesse processo, a prática de exercícios físicos é fundamental.
O método pilates é uma ótima indicação já que pode ser praticado por pessoas de diferentes idades e condicionamento físico, inclusive pelos idosos. Isso é possível porque é uma técnica individualizada que se desenvolve de acordo com as necessidades de cada aluno.
Alívio da dor, maior percepção dos movimentos, fortalecimento muscular, maior equilíbrio, aumento da flexibilidade, alívio do estresse, entre outros, são alguns dos benefícios do pilates para a terceira idade. A grande vantagem está na melhora da autoestima do praticante, uma vez que ele consegue realizar uma série de exercícios físicos que até então não se julgava capaz. O aumento do equilíbrio corporal também é um grande avanço, já que o idoso tem seu equilíbrio comprometido devido à idade.
Tudo isso sem nenhum risco de lesão corporal, já que pilates é um trabalho aplicado com uma grande margem de segurança e respeitando os limites de cada um.
Além desses benefícios, o pilates auxilia em outro aspecto muito comum entre os idosos, a incontinência urinária. A perda involuntária da urina se deve ao enfraquecimento do músculo do períneo e musculatura do assoalho pélvico. Durante os exercícios, ocorre o enrijecimento do abdômen, do glúteo e períneo, o que com o tempo diminui a incontinência.
Vale ressaltar que, o método pilates é indicado para todas as pessoas que se encontram entre 8 e 80 anos de idade, sejam flexíveis ou rígidas, mas a indicação só pode ser feita após uma avaliação. Inicialmente o aluno
passa por uma avaliação postural e por uma anamnese, onde serão detectados possíveis desvios posturais, desequilíbrios musculares ou dores relatadas pelo próprio aluno, e a partir daí é que será montado um programa de treinamento específico para este aluno com objetivos pré-determinados.

Fonte: Diário Catarinense _ Entrevista com o Fisioterapeuta Vinícius Zacarias